Repensando o movimento espírita: Movimento dos Místicos, Ortodoxos, Agnósticos

Estamos presenciando nesse início do século XXI sérias dissenções entre os Espíritas, as quais se arrastam desde o desencarne de Allan Kardec, passando por uma série de fatores que levaram atualmente o Espiritismo a vários segmentos tais como: Espiritas Ortodoxos, Espiritas Agnósticos, Espiritas Roustainguistas, Espiritas Científicos, Espiritas Místicos, Espiritas Ubandistas, Espiritas Armondistas, Espiritas Emmanuelistas, Espiritas Ramatisistas, Espiritas do Espiritismo laico, Espiritas Dialéticos, Espiritas Transcomunicadores, Espiritas Espiritualistas, Espiritas ligados a Apometria, Espiritas ligados a conscienciologia e projeciologia, Espiritas do Movimento da Fraternidade, Espiritas ligados ao Concafras – Movimento Auta de Souza, Ensino Teológico Espírita, Espiritas da Renovação Cristã, Espiritas do Racionalismo cristão, Espiritas da Aliança Espírita Evangélica, Espiritas Legionários Legião da Boa Vontade, Além dessas correntes ainda temos terapias alternativas, pílulas, doutrina da prosperidade, coaching de espiritismo, auto ajuda, viagens espiritas a terra santa, eventos pagos a alto preço, mediunismo, casamentos, batizados, banhos com água fluidificada. E diante do quadro político atual, está se desenhando um Espiritismo de Esquerda e Direita, unindo pelo viés político correntes antes em dissensão.

Resolvemos simplificar nas três correntes descritas acima para não alongarmos demasiadamente. As discussões se arrastam... De um lado identificam-se os denominados “espíritas místicos”. Estes tornaram o espiritismo uma religião dogmática, ritualística, com líderes religiosos e santos. Seus centros espíritas funcionam no formato de igrejas. Defendem ferrenhamente seus ícones religiosos, e os seguem cegamente.

Temos os que são denominados “espíritas ortodoxos”, que são aqueles que buscam estudar, seguir os preceitos Espíritas estabelecidos nas Obras Básicas codificadas por Allan Kardec.

Entretanto, entre estes surgem divergências de cunho interpretativo doutrinário, formando subgrupos. De um lado os “ortodoxos religiosos”, que embora tenham suas bases doutrinárias kardecianas, “entendem o espiritismo como uma religião em seu caráter filosófico, tendo esse, segundo seu entendimento, até mesmo um credo próprio”. Também de certa forma, se assemelham aos místicos quando elegem certos líderes encarnados e/ou desencarnados como seus paradigmas.

Do outro lado estão os “ortodoxos não religiosos”, que evitam o Espiritismo como Religião, pois o entendem como uma doutrina sistematizada que se prende a “todos os ramos da filosofia, da metafísica, da psicologia e da moral”, sem o caráter de religiosismo igrejeiro. Estes se pautam especificamente no estudo das obras fundamentais.


Por outro lado, encontram-se no extremo oposto, os “espíritas agnósticos”, posto que, “o agnosticismo pode ser definido de várias maneiras, e às vezes é usado para indicar dúvida ou uma abordagem cética a perguntas. Em alguns sentidos, o agnosticismo é uma posição sobre a diferença entre crença e conhecimento, ao invés de sobre qualquer alegação específica ou crença” - que é o caso dos referidos espiritistas.

Fazendo-se uma análise dos extremos, podemos constatar que os “místicos espíritas”, da mesma forma que os “agnósticos espíritas”, perderam totalmente o referencial kardeciano.

É fato que, enquanto os “místicos” adotaram obras duvidosas com forte cunho místico como paradigma do Espiritismo - os “agnósticos” questionam a autoridade de Allan Kardec, seu método e os próprios princípios Doutrinários.

Enquanto os “místicos espíritas” idolatram médiuns e espíritos, como os porta-vozes das “novidades espirituais” diante das já “ultrapassadas” e “desnecessárias” “Obras Básicas” - os “agnósticos espíritas” questionam o método kardeciano, a validade do que foi posto pelos Mestre liones, e também já consideram ultrapassadas as Obras Fundamentais.

Portanto, dentre as mais variadas vertentes Espíritas, percebe-se que Allan Kardec e os Princípios Doutrinários se perderam no meio desse turbilhão de pensamentos, convicções, entendimentos, interesses e equivocos.

Diante de tal realidade, e sabendo da dificuldade que nós enfrentamos para vencer os grandes vícios que se incrustam em nossa alma por inúmeras encarnações, tomamos das palavras de Kardec, quando desenvolvia um fantástico diálogo com o Cético na obra O QUE É O ESPIRITISMO, e assim se expressava:

“O mundo corporal e o mundo espiritual alternam-se incessantemente. Pela morte do corpo o mundo corporal oferece seu contingente ao mundo espiritual. Pelo nascimento, o mundo espiritual alimenta a humanidade”. (...)

“Os Espíritos que formam a população invisível da Terra são, de certa maneira, o reflexo do mundo corporal. Encontram-se neles os mesmos vícios e as mesmas virtudes aqui observadas. Existem sábios e ignorantes, pseudosábios, prudentes e levianos, filósofos, calculistas e sistemáticos. Uma vez que não se libertam de suas preocupações, entre eles todas as opiniões políticas e religiosas têm os seus representantes”. (2001: p. 58).

Portanto, pode-se vislumbrar o intercâmbio que se faz entre os dois planos da vida no que concerne à Doutrina Espírita, posto que, ela continua incomodando profundamente espíritos encarnados e desencarnados, ainda arraigados a determinadas convicções, gerando dissenção e discórdia entre todos que se consideram de uma forma ou de outra, espíritas.

Poucos perceberam que foi o “outro olhar” de Kardec sobre os fenômenos espíritas, saindo do campo das frivolidades para a observação séria através do método experimental, que conduziu às grandes revelações da realidade espiritual, e que estamos longe, muito longe de dominar tal verdade.

Impressiona quão poucos se apercebem que através da dialética, Kardec encontrou respostas dadas pelos grandes Mestres da Espiritualidade, para questionamentos universais, que perseguem o homem desde que tomou consciência de si mesmo. Quem sou eu, de onde vim e para onde vou?

Na realidade, Allan Kardec desenvolveu uma obra monumental, utilizando-se do método experimental para os fenômenos mediúnicos e utilizando-se da racionalidade, do bom senso, da filosofia, e do seu intelecto para sistematizar todo o corpo doutrinário espírita.

E aqui estamos nós, em pleno século XXI, tendo espíritas temerosos com o “fim do mundo”, em razão das predições feitas por seus ícones religiosos ou a eles atribuídas. Outros, questionando o aspecto religioso da Doutrina. Alguns, pondo em “xeque” a autoridade doutrinária de Kardec e dos princípios espíritas, na busca de outra vertente doutrinária mais avançada e condizente com os “avanços” do pensamento e da ciência. Não se podendo deixar de lado, os espíritas que também rechaçam Jesus como o paradigma da moralidade, que foi inserido no corpo doutrinário espírita por Allan Kardec sob a orientação dos Espíritos Superiores.

Ou seja, a população de espíritos que retornou ao orbe terrestre na condição de encarnados, ainda não se encontra preparada para assimilar a grandiosidade da Doutrina dos Espíritos!

Vale nesse contexto considerar, a população desencarnada arraigada a determinadas convicções, que interage através das afinidades de pensamento com seus afins do plano físico, fomentando mais e mais as dissensões.

Entretanto, diante da grande complexidade que envolve toda a dissidência e divergência doutrinária, pode-se vislumbrar pelo “andar da carruagem” que ainda percorreremos alguns bons números de anos em meio ao turbilhão de equívocos relacionados ao aprofundamento e/ou entendimento dos preceitos espíritas.

Não obstante, diante dos princípios acima propostos pela Doutrina dos Espíritos, o que nos conforta é saber que a “dimensão temporal” é relativa face à eternidade. Daí advém à certeza de que em “algum tempo”, todos nós avançaremos rumo ao saber e a moralidade. Em tal condição estaremos despidos dos farrapos do orgulho e da vaidade que são os trajes da ignorância, e vestidos com o manto da sabedoria que é a veste dos humildes, pacíficos e felizes. Afinal, conheceremos a verdade e ela nos libertará (palavras de Jesus).

Izaias Lobo Lannes. 15/03/2019.



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