Espiritismo pago?

"O Espiritismo filosófico... ele conduz ao objetivo a que a Humanidade aspira: ao reino da justiça, pela extinção dos abusos que lhe hão obstado ao progresso e pela moralização das massas". Allan Kardec. Obras Póstumas, questões e problemas – nota.


Estamos num mundo material em que vivemos na matéria, com a matéria, da matéria, mas não objetivamos viver para a matéria.


O espírita sabe que as atividades espíritas de divulgação doutrinária são gratuitas, palestras, passe espírita (fluidoterapia), desobsessão, atendimento, evangelização espírita infanto/juvenill, apoio social aos carentes materiais, etc. Quem é espírita também sabe que os livros espíritas custam dinheiro e, portanto, têm de ser vendidos, o que é óbvio.


Já não é tão óbvio quanto aos lucros excessivos que alguns centros espíritas buscam ter na venda desses livros, e ainda dificultam a compra dos mesmos por pessoas menos favorecidas materialmente falando. O mesmo se passa com os periódicos, informativos e jornais espíritas. Uma questão mais polêmica começa, por exemplo, nos congressos espíritas, eventos em hotéis cinco estrelas, resorts exclusivos, cujos ingressos estão criando uma elitização dentro do Espiritismo, pois são muito caros: uns podem pagar e vão, a maioria não pode pagar e não vão obviamente.


Seria desejável que os eventos espiritas fossem todos gratuitos de modo que quem quisesse ir pudesse ter acesso, cortando as despesas dos eventos ao mínimo possível, e fossem bancados pelos próprios realizadores o que é perfeitamente possível com bom senso e criterioso planejamento. Assim, deixando livre a quem quisesse contribuir para ajudar nas despesas sem a obrigatoriedade da cobrança.
 Pagar conhecimento espírita é um contra senso ao trabalho enorme de Allan Kardec, e a essência de todo o ensinamento dos bons Espíritos, e ao daí de graça, o que de graça recebemos do ensinamento de Jesus.


O Espiritismo não pode ser um meio de comércio para os centros espíritas e movimento espírita, nem um modo de ganhar a vida para alguns financistas que em tudo visam somente lucros e dividendos. No Brasil, já temos plataformas espíritas com conteúdos pagos. Mesmo que com preços simbólicos, tal situação não se nos afigura enquadrada dentro da Doutrina Espírita, pois que tal contribui para a sectarização e discriminação no acesso à informação. Principalmente em um momento que o acesso livre e gratuito à informação é uma realidade cada vez maior, inclusive já se consegue fazer um curso superior, em ensino a distância, gratuito, oferecer conteúdos doutrinários pagos é, no mínimo, um retrocesso.


Em nossa opinião, não são os espíritas que devem seguir os exemplos de uma sociedade de mercado, o Espiritismo não está à venda, a sociedade consumista deveria seguir os exemplos do que ensina o Espiritismo no que tange ao desprendimento dos bens terrenos, mas infelizmente somos nós espíritas que estamos dando exemplos de ávido materialismo. Em um assunto tão melindroso como este, muitas ideias e opiniões diferenciadas aparecerão, comparando e justificando os serviços pagos com os livros, jornais, ao apelo de mercado, novos tempos, etc.


No entanto, aqui fica um ponto de reflexão para todos nós, espíritas, para que reflitamos o que estamos fazendo e para onde estamos conduzindo a Doutrina dos Espíritos. O nosso papel é esclarecer e consolar, estudar, vivenciar e divulgar a Doutrina dos Espíritos, mas não a qualquer preço, e muito menos vivendo às custas do Espiritismo, como já tem muita gente fazendo sem o menor constrangimento. Os fins não podem justificar os meios, com o devido respeito por quem pensa de maneira diferente.


Izaias Lobo Lannes. 17/04/2016.




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