Socialismo e o futuro

As lições do Cristianismo primitivo estão vivas, renascendo nos princípios da Doutrina Espírita que eclodiu em 1857 com a publicação de O Livro dos Espíritos.


No pós revolução industrial embora necessário a evolução, percebeu-se que a substituição de um sistema por outro não foi a solução, porque o que se fazia necessário também, seria uma ordem social baseada na fraternidade e no amor ao semelhante e num sentido mais amplo, com justiça social.

As nações ricas prosperaram à custa da miséria do denominado terceiro mundo, fornecedores de matérias primas, mergulhados num alto índice de mortalidade infantil, fornecendo mão de obra barata, numa atmosfera de doenças, de miséria e de fome, onde o homem não se diferencia do animal no tratamento que recebe, em realidade os animais hoje tem melhor tratamento, sem deméritos a estes.

Assim Allan Kardec pôde comparar as nações ricas aos homens quando advertiu que se elas seguissem o preceito de não fazer às demais o que não desejassem que se lhes fizessem, o mundo viveria sob o signo da paz e do progresso. “Vencido o egoísmo, será mais fácil extirpar as outras paixões que corroem o coração humano”, lembra Léon Denis.

De fato, o edifício social a ser construído pelo Socialismo pode não excluir todas as iniquidades, porque a condição humana não é ainda de perfeição, mas, sem dúvida, significará muito na edificação de uma sociedade menos injusta, diminuindo os abismos sociais, sendo estes obra do egoísmo humano conforme pergunta e resposta 806 de O Livro dos Espíritos. A constatação dessas iniquidades e diferenças não é constatada apenas pelos espíritas que pregam uma ordem social mais humana e mais acorde com a legislação cristã. Documentos da Igreja Católica ("Subsídios para Puebla”, Documento no 13 – Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros – Edições Paulinas, 1978, pág. 8), são importantes na constatação dessa realidade:

“Observa-se no continente latino americano uma exacerbação do conflito opressores e oprimidos, devido a uma situação de gritante iniqüidade social. A iníqua repartição das rendas vem propiciando um perigoso afrontamento das classes sociais.

A posse dos meios de produção concentra-se nas mãos de grupos poderosos ou do Estado, ao mesmo tempo em que se acelera a desnacionalização das economias nacionais, pelo domínio crescente das multinacionais”.


A Doutrina Espírita significa uma importante revolução no contexto social, sendo mais profunda, isto porque, penetra as bases do comportamento humano e implica uma revisão de princípios morais, sem o que a revisão jurídica, econômica e social não seria alcançada com eficácia.

Compreendemos que o Socialismo não pode ser uma fórmula artificial que deva ser imposta de forma ditatorial neste ou naquele país, neste ou naquele continente. "Compreendendo o Socialismo como uma reação da coletividade contra o predomínio dos interesses individuais ou grupais, teremos que admiti-lo com características próprias de cada comunidade, sob pena de copiarmos exemplos desajustados de cada uma das realidades nacionais".

"O Espiritismo acrescenta um outro elemento ao Socialismo, distinguindo-o das outras fórmulas, embora reconheça que Platão não só aplicou o método psicológico para explicar o surgimento do Estado em razão das necessidades do homem, como advertiu dos riscos com a multiplicação dessas necessidades".

Assim nascendo o comércio e surgindo o dinheiro, o homem acostumou-se ao excesso e ao luxo e, com estes, adveio a ganância, complicando a estrutura primitiva do Estado, sendo imperfeito natural que surgissem os excessos. Como consequência, a pobreza e a riqueza teriam que conviver, guerreando-se através dos tempos. Lembra Platão que nessa altura a paz interior desaparece e “até o menor Estado se divide em duas partes distintas: o Estado dos pobres e o dos ricos, que se digladiam”.

O Espiritismo, embora compreenda e explique certos fenômenos sociais e econômicos através da lei da reencarnação, pelo egoísmo humano, etc, teria que ser revolucionário no sentido de reivindicar as mudanças na estrutura da sociedade, combatendo a concentração da riqueza e a ausência de fraternidade que significam a manutenção dos privilégios e dos excessos no uso dos bens.

Jesus, sendo Ele mesmo carpinteiro, ensinando pelo próprio nascimento a grande lição evangélica dos simples e o amor pelos pobres, foi um revolucionário por excelência, mas não se transformou num caudilho a serviço de grupos ou partidos, porque sua missão transcendia as misérias do império romano e humanas, e não podia, por isso mesmo, perder-se no labirinto das paixões políticas e das artimanhas da burocracia da administração.

A vida de Jesus e dos apóstolos ao lado da população cristã de Jerusalém era a demonstração prática e real dos ensinamentos que pregavam a fraternidade e a vida comunitária.

É evidente que os tempos hoje são outros e que com o progresso técnico e científico, com a revolução industrial e as mudanças sensíveis na forma de vida e de convívio social, não se poderia reproduzir a mesma atmosfera e exigir da comunidade atual que vivesse como os apóstolos.


No entanto, os princípios que fundamentavam aquela vida, ou seja, o sentido de cooperação e de auxílio, o amor pelos humildes e necessitados, a repartição dos bens com o semelhante, a predominância do sentimento sobre a ganância, do amor sobre o ódio, são imutáveis no correr dos séculos e marcam o verdadeiro sentido cristão da vida.

O Espiritismo não prega novidade quando realiza o chamamento à vida simples e fraterna.

O fundador da Ordem dos Franciscanos, São Francisco de Assis, era filho de um rico comerciante e, no entanto, ao invés de herdar-lhe os bens e a fartura, atendeu ao chamamento de uma “voz interior”, voltando-se para os pobres.


E São Vicente de Paulo teve sua biografia resumida numa frase que costumamos reproduzir pela beleza da comparação: “Nele, como em certas plantas nas quais as flores nascem antes da folhagem, a caridade nasceu antes da razão”.

Sendo o Cristianismo redivivo, o Espiritismo no seu sentido evolucionista caminhou para o encontro com os ideais socialistas e não teve dúvida em afirmar através de Kardec que “uma nova ordem de coisas tende a estabelecer-se e os mesmos que a isso se opõem com mais empenho são exatamente os que mais o ajudam, sem sabê-lo”.

Importante esclarecer que o socialismo não prega a miséria social, muito menos a igualdade absoluta entre classes, coisas em desacordo com a Doutrina Espírita, mas prega justiça social, oportunidades iguais para todos, o socialismo não quer abrir fossos de desigualdades pois quem sustenta isso é justamente o capitalismo, ou melhor a doutrina neoliberal ou ultra neoliberal como vivenciamos atualmente em nosso país.

Izaias Lobo Lannes.




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