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É o orgulho que nos une neste planeta de provas e expiações?

96. São iguais os Espíritos, ou há entre eles qualquer hierarquia?

“São de diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado.”


A história da humanidade apresenta as mais diversas abordagens para a existência de Espíritos, o que seriam e como se apresentariam. Dentre os modos de interpretação do mundo espiritual que, de forma geral, todos trazem ao menos a suspeita de sua existência, é muito comum a crença em variados níveis, ou hierarquia, dos seres que ali habitariam. As diferentes características são comumente descritas como arcanjos, anjos, diabretes, demônios, segundo algumas religiões, etc., demonstrando uma distinção entre bons e maus em variadas gradações.


Visando esclarecer este tema de relativa complexidade em decorrência da impossibilidade de observação direta, na questão 96 de O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta: “São iguais os Espíritos, ou há entre eles qualquer hierarquia?”. E obtém como resposta: “São de diferentes ordens, conforme o grau de perfeição que tenham alcançado”.

Depreende-se da resposta apresentada que há diferenciação entre os Espíritos e, observando a diversidade de ideias e comportamento na humanidade do planeta, pode-se considerar que engloba tanto os desencarnados quanto os encarnados.


O ponto de partida para qualquer análise sobre os Espíritos deve ser as características da Divindade, pois, sendo a causa primeira de todas as coisas, incluindo os próprios Espíritos, deve nortear nossos estudos para o melhor entendimento deste e de tantos outros temas.


A consideração mais precisa possível sobre as características da Divindade é de tamanha importância que Kardec, no livro A Gênese, a salientou dizendo o seguinte: "Sem o conhecimento dos atributos de Deus, impossível seria compreender-se a obra da criação. Esse o ponto de partida de todas as crenças religiosas e é por não se terem reportado a isso, como ao farol capaz de as orientar, que a maioria das religiões errou em seus dogmas”.


Desta forma, baseado na bondade e na justiça do Criador, não se pode considerar a possibilidade de seres privilegiados ou criação diferenciada para seus filhos. Na questão 804 de O Livro dos Espíritos fica claro que os Espíritos são criados iguais, assim, a diferença existente entre eles em geral, e aquela que pode ser diretamente observada entre os encarnados deve ser decorrente de outro motivo, e não do processo da Criação.


Partindo do princípio que não se pode creditar à Deus a condição em que o Espírito se encontra, que se traduzirá em entendimento e comportamento, esta deve ser decorrente de processos pertencentes aos próprios Espíritos, as escolhas pessoais. Em outras palavras, as diferenças entre os Espíritos são decorrentes do processo evolutivo em si.


Todavia, baseando-se na infinita bondade de Deus, não se pode considerar que a prática do mal e todas as consequências advindas sejam inerentes ao processo evolutivo em si, mas decorrentes das opções pessoais, isto é, o uso que fazem do livre arbítrio.


Sendo o mal, como mencionado, decorrente da decisão pessoal, pode-se partir do princípio de que deve haver algum tipo de mecanismo visando impedir que aqueles que não se empenham para o próprio aprimoramento e, com isso, pratiquem atos inadequados, perturbem aqueloutros que trabalham por se melhorarem. A afinidade psíquica, no sentido dos Espíritos se agruparem segundo a correspondência de gostos, de atitudes e de sentimentos, seria uma necessidade para o bom funcionamento do processo evolutivo, tanto para aqueles que se comprazem no mal, por vivenciarem as consequências de suas próprias atitudes, quanto para os outros, que sintonizam com o bem, não serão afetados por comportamentos de rebeldia e insensatez.


A reencarnação dos Espíritos ligados ao planeta Terra, que se caracteriza, segundo os Espiritos superiores responsáveis pela Codificação Kardequiana, como um mundo de expiação e de provas, está relacionada com a afinidade. Isto significa que os Espíritos deste mundo se encontram sobre a mesma condição, apesar das diferenças em gostos, tendências e preferências, maldade, ignorância, inteligências, bondades inatas, cultura, etc, observadas. Nesta abordagem, considera-se que exista algum ponto em comum entre todos os Espíritos encarnados na Terra.


Encontra-se em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo VII, intitulado Os Pobres de Espírito, a seguinte explicação: Generaliza-se o mal-estar. A quem inculpar, senão a vós que incessantemente procurais esmagar-vos uns aos outros? Não podeis ser felizes, sem mútua benevolência; mas, como pode a benevolência coexistir com o orgulho? O orgulho, eis a fonte de todos os vossos males. Aplicai-vos, portanto, em destruí-lo, se não lhe quiserdes perpetuar as funestas consequências”.


Concluindo, percebe-se que o ponto em comum que une todos os Espíritos ligados a este mundo de expiações e provas como o é nosso planeta, é o orgulho, filho dileto do egoísmo, cujo combate somente será efetivo a partir do autoconhecimento, do conhecimento e vivencia dos ensinamentos de Jesus a luz da Doutrina Espirita, que visaria identificar todas as suas formas de expressão, e somente assim, conseguiremos um dia elimina-los.


Izaias Lobo Lannes – abril de 2026.


 
 
 

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